Não te procuro, mas por vezes na solidão dos pensamentos consigo constatar... já lá vai tanto tempo e não te consigo encontrar. Não te peço perfeição, apenas um misto de astúcia e bons valores. Já senti quando de rompante dás um ar de tua graça, na forma de um rosto, nascendo dentro de mim uma esperança que se desvanece nas entranhas da realidade.
Em mim habita muito mais que uma pessoa, uma delas permanece no anonimato, não gosta de se expor. E como essa pessoa venera a solidão, adora música melancólica e se sente bem quando oprimida pelo sofrimento. Eis o Solitário. Tem a estranha capacidade de emergir em público, sem que ninguém se aperceba, a solidão não é para ele um espaço onde apenas ele se encontra, mas sim, qualquer situação que lhe faça sentir toda a sua insignificância. A incompreensão reforça-lhe o ego. Quando incompreendido, sorri, faz um gesto carinhoso e desvia a atenção. Após uma fase conturbada, o Solitário tem hoje mais influência que qualquer outro. Devo-lhe a descoberta do gosto de viajar sozinho. E, como se aprecia, como chama muito mais a atenção, como ganha importância qualquer pormenor quando estamos sós. Obrigado Solitário.
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Como percebo*
Obrigada pelas palavras.