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O Solitário

Em mim habita muito mais que uma pessoa, uma delas permanece no anonimato, não gosta de se expor. E como essa pessoa venera a solidão, adora música melancólica e se sente bem quando oprimida pelo sofrimento. Eis o Solitário.



Tem a estranha capacidade de emergir em público, sem que ninguém se aperceba, a solidão não é para ele um espaço onde apenas ele se encontra, mas sim, qualquer situação que lhe faça sentir toda a sua insignificância. A incompreensão reforça-lhe o ego. Quando incompreendido, sorri, faz um gesto carinhoso e desvia a atenção.

Após uma fase conturbada, o Solitário tem hoje mais influência que qualquer outro. Devo-lhe a descoberta do gosto de viajar sozinho. E, como se aprecia, como chama muito mais a atenção, como ganha importância qualquer pormenor quando estamos sós.

Obrigado Solitário.

Comments

A viagem do herói é definitivamente individual.... e solitária,
nos momentos em que deve ser.
Descobres o mais fundo que há em ti, através desse herói que se esconde no anonimato e na música melancólica,
que despertas os sentidos mais profundos.
Shuzy said…
É um belo post... Me identifiquei muito!

(*;
Cárina said…
Claro que irei partilhar. Mas só o posso fazer quando encontrar as respostas certas para estas perguntas que tanto interroguem a minha cabeça (neste caso a nossa cabeça). Parabéns pelo blog e obrigada por seguires o meu (:
beijinho
Anonymous said…
Um bonito post!
Por vezes todos nós merecemos e queremos disfrutar um pouco da solidão, sendo ela mesma quem nos comanda. Por vezes somos também fragmentos dela, solitários, saudosos e irreverentes solitários que amam quando a atenção lhes foga da alma. Por vezes a serenidade é tanta que a solidão é desejada! adorei
Esta um post perfeito, estou a seguir : $
Isa Meireles said…
simplesmente ...lindo
Isa Meireles said…
Querido salteador das palavras belas:
Aqui te escrevo eu, em retorno da bela simpatia que espalhas-te no meu blog. Escrever um livro é mais díficil do que nos pode parecer, exige-nos com muita mais força do que a que pensamos não ter. Nós temos essa força, só temos de encontrar a determinação para o fazer. Seria de um enorme prazer poder ter todas as qualidades para lançar em páginas, um pedaço de mim... Mas não sei... Caso eu o faça, o esteja a fazer, lembrar-me-ei de ti. Partilharei contigo esta experiência e a minha vivência nas páginas. Quem sabe um dia sejamos vizinhos na estante da livraria.

Um beijo
Lu said…
Simplicidade, solidão, solitário, sorriso, sublime! :p
Anonymous said…
permito pois, até porque aquele post foi escrito e pensado nas pessoas que mais precisam da força de todos nós.
muito obrigada !
Anonymous said…
O Solitário sofre... Pisa e repisa caminhos já percorridos. No seu silêncio derrama lágrimas arrependidas. Na sua mudez, grita râncor. No seu cantinho, refugia-se na melancolia.

Esconde-se do mundo que não o seu. Não se acha digno de nele ainda permanecer, pois o peso, que sobre ele carrega, torna-se mais custoso à medida que o tempo passa sem conseguir perdoar-se a si mesmo.


*
Eli said…
Heide sempre adorar esta música.

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Experiência, Futuro e Esperança

A ideia de suspense que a vida nos reserva, tem muita beleza. A incapacidade de prever o futuro é um dom. Permite que conceitos como a esperança, que nos torna optimistas, existam. Ser optimista permite viver o dia a dia com mais prazer, e consequentemente, ser-se mais feliz. O passado confere-nos experiência, a experiência torna-nos mais certos das nossas decisões no presente. No entanto, deixei de acreditar que a experiência ajuda a prever o futuro. O bom senso diz-me que ganhámos mais sensibilidade para evitar determinados caminhos, mas nada se sabe sobre o caminho que se escolhe. No fundo, não há ligação directa entre o futuro e a experiência. A experiência é como conduzir um carro no escuro com os faróis voltados para trás. Sabemos tudo que se passou e nada do que virá.

Vem

Não te procuro, mas por vezes na solidão dos pensamentos consigo constatar... já lá vai tanto tempo e não te consigo encontrar. Não te peço perfeição, apenas um misto de astúcia e bons valores. Já senti quando de rompante dás um ar de tua graça, na forma de um rosto, nascendo dentro de mim uma esperança que se desvanece nas entranhas da realidade.