Acordo. Levanto-me e tomo banho. Olho para o céu. Encho o peito de vontade e adrenalina e parto na aventura, sem preparação. Chegado, inspiro a solidão e mantenho firme a máquina fotografica. Ao longe o automóvel fica aberto transportando sons citadinos. Caro momento, captei-te, roubei-te da realidade e agora és meu.
Em mim habita muito mais que uma pessoa, uma delas permanece no anonimato, não gosta de se expor. E como essa pessoa venera a solidão, adora música melancólica e se sente bem quando oprimida pelo sofrimento. Eis o Solitário. Tem a estranha capacidade de emergir em público, sem que ninguém se aperceba, a solidão não é para ele um espaço onde apenas ele se encontra, mas sim, qualquer situação que lhe faça sentir toda a sua insignificância. A incompreensão reforça-lhe o ego. Quando incompreendido, sorri, faz um gesto carinhoso e desvia a atenção. Após uma fase conturbada, o Solitário tem hoje mais influência que qualquer outro. Devo-lhe a descoberta do gosto de viajar sozinho. E, como se aprecia, como chama muito mais a atenção, como ganha importância qualquer pormenor quando estamos sós. Obrigado Solitário.
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